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Por que Porto Alegre?

POR QUE PORTO ALEGRE?

 Melissa Harvey, Stamatina Banou, Alicia Vujevic*

O que faz os estrangeiros escolherem Porto Alegre para viver, estudar ou simplesmente passar as suas férias?

Quando pessoas de outros países pensam no Brasil, muitos pensam nas famosas praias do Rio de Janeiro, na metrópole de São Paulo ou nas festas nas ruas de Salvador.

O Rio de Janeiro é a cidade mais visitada do hemisfério sul e é famosa pelos ambientes naturais, festa de carnaval, samba, bossa nova e suas belíssimas praias.  Alguns dos monumentos mais famosos no Brasil estão situados no Rio, como a estátua do Cristo Redentor no topo do morro do Corcovado, mas também o Pão-de-açúcar com o bondinho, o Sambódromo, usado durante o carnaval e o Maracanã, um dos maiores estádios do mundo.  O Rio tem uma vida cultural intensa e variada.

São Paulo, a maior cidade do Brasil, é conhecida mundialmente, e tem influência significativa em nível nacional e internacional, em termos de economia, cultura e política.  Abriga vários monumentos importantes, parques e museus como o memorial da América Latina, o Museu da Língua Portuguesa, o Museu de Arte, o Parque Ibirapuera e a Avenida Paulista.  A cidade tem sido o lar de muitos dos edifícios mais altos do Brasil, e possui muitos eventos de alto perfil.  São Paulo é de longe a cidade com a maior concentração de universidades no Brasil, e a Universidade de São Paulo é a maior instituição de ensino superior e pesquisa, sendo também é considerada a melhor universidade do país.

Salvador, a maior cidade da costa nordeste do Brasil é também conhecida como a capital da felicidade, as descontraídas e inúmeras festas ao ar livre, incluindo o seu carnaval de rua.  A cidade de Salvador é notável por sua cozinha, música e arquitetura.

Como estas cidades são as maiores e mais conhecidas do Brasil, por que os estrangeiros estudando na UFRGS escolheram vir ao Porto Alegre? Foi porque Porto Alegre é uma cidade mais tranqüila e segura? Foi por possuir melhores oportunidades acadêmicas? Ou foi por causa da cultura gaúcha, com seu famoso churrasco?

Final de tarde na orla do Guaíba, nas proximidades da Usina do GasômetroFinal de tarde na orla do Guaíba, nas proximidades da Usina do Gasômetro

A capital do estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, apresenta um clima subtropical úmido, com as quatro estações do ano, primavera, verão, outono e inverno, bem acentuadas.

Localizada no centro do MERCOSUL, posição privilegiada é considerada uma das cidades com maior potencial de crescimento mundial com sua infraestrutura de metrópole, alicerce de grandes empresas e, ainda, respeitada como cidade modelo em qualidade de vida.

Falar da metrópole não é apenas apresentar o chimarrão e o churrasco, é destacar toda a sua história: a cidade acolheu imigrantes de todo o mundo, e, por isso, apresenta variadas etnias, religiões e culturas. Assim, a população é bem diversificada e multicultural. E ainda possui muitas paisagens que viraram cartões-postais, como seus famosos bares e casas noturnas, museus, centro histórico, estádios, e suas diversas atrações.

A vida cultural da cidade ganhou em 2008 um museu de padrão internacional: a Fundação Iberê Camargo, com projeto arquitetônico do português Álvaro Siza. Não bastasse a elegância das linhas das paredes brancas, o museu ainda se encaixou numa paisagem privilegiada, na orla calçada do Guaíba. Expõe regularmente o acervo do pintor Iberê Camargo, falecido em 1994, aos 79 anos, e também mostras de artistas nacionais e estrangeiros.

Quem escolhe o final do segundo semestre para conhecer a cidade consegue fugir do frio, que pode ser intenso, de junho a agosto, e aproveita os grandes eventos de teatro, literatura e artes visuais que são o Porto Alegre Em Cena, a Feira do Livro e a Bienal do Mercosul, esta em anos ímpares. O verão costuma ser sufocante. Pelo menos não falta sombra. Setembro também traz a primavera, os jacarandás floridos e o Acampamento Farroupilha, no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho. O evento reproduz os galpões, os passeios a cavalo e as tradições gaúchas nas roupas, na gastronomia e na música nativista. Parece outro tempo, arquetípico, injetado nas artérias da cidade.

Na comparação com capitais de grandes dimensões como São Paulo ou Florianópolis, Porto Alegre parece concentrar suas atrações em poucos quilômetros. Dá a impressão de que tudo fica perto, a poucos minutos de táxi, de lotação (um tipo de microônibus) ou de ônibus – o transporte público é eficiente. Visitantes instalados em hotéis de bairros como os Moinhos de Vento, a área nobre da cidade, ou a Cidade Baixa, que é a parte antiga, dispõem de uma vasta oferta de restaurantes, lojas, teatros, casas noturnas e dos passeios a qualquer hora do dia nos parques Farroupilha e Parcão.  Os parques e praças não são cercados, o que desaconselha a frequência noturna. O Farroupilha tem monumentos importantes, pedalinho no lago, minizôo com aves e macacos e leva ao Brique da Redenção, uma feira de antiguidades aos domingos. O Parcão, apelido do Parque Moinhos de Vento, é vizinho da ‘Calçada da Fama’, a rua Padre Chagas, uma miniatura da paulistana Oscar Freire. No Centro, não deixe de visitar o Mercado Público e o Santander Cultural, duas preciosidades restauradas. O Mercado data do tempo da escravidão. O imenso quadrado tem quatro entradas, e na encruzilhada dos caminhos, conta a lenda, repousa a Pedra do Bará, um orixá que energiza e protege quem circula por ali. Porto Alegre e Região Metropolitana são importantes polos das religiões afro-brasileiras. Em meio a açougues, peixarias, fruteiras, delicatessen e lojas de bebidas, o Mercado também abriga rituais de iniciação de pais-de-santo. E um bar com mais de 100 anos, o Naval. Outro programa divertido na região central é pedir autógrafo para os poetas Mario Quintana e Carlos Drummond de Andrade, num banco da Praça da Alfândega. Eles não vão dar autógrafo: estão lá erguidos em bronze, para a posteridade, mas se deixam tocar, abraçar, fotografar. Não faz muito tempo furtaram o livro (em bronze) que Drummond segura, em pé, como que lendo a página para o poeta gaúcho, sentado. Vem da obra do adorável Quintana uma dos versos mais ferozes e sintéticos sobre a luminosidade milagrosa que conforta os moradores do sul do mundo no outono e na primavera:

‘Adiados os suicídios Porque é abril em Porto Alegre’

Em qualquer estação do ano, moradores e turistas convergem em bandos para o pôr-do-sol mais concorrido da cidade, na avenida Beira-Rio, perto da Usina do Gasômetro. Não tem mar, como em Jericoacoara ou Ipanema, mas os reflexos que a luz do final do dia despeja sobre as águas do Guaíba são de fazer engasgar o chimarrão. Para esses momentos especiais carrega-se o kit da bebida típica: cuia com a erva-mate esculpida no topo (ela é a prova de vento, curiosamente), bomba prateada, garrafas térmicas. Porto Alegre produz e consome muita música. Na terra de Lupicínio Rodrigues e Elis Regina, e de Wander Wildner e Papas da Língua, existem dezenas de palcos para shows e uma variedade impressionante de bandas locais, ritmos e estilos, de segunda a domingo. Rock ‘n’ Roll, blues, jazz, bossa nova, pagode, chorinho, MPB. Samba de raiz, samba-rock, black music, reggae, funk, hip hop. Sem esquecer o repertório nativista, acompanhado de danças típicas, disponível em shows dos CTGs (centros de tradição gaúcha).

Viu só? Não é verdade que a principal vantagem turística de Porto Alegre é estar localizada a apenas hora e meia de carro de Gramado ou duas horas de vôo de Buenos Aires. Isso é só uma gozação. Bem típica, aliás, do humor local, que é autodestrutivo, como as discussões entre gremistas e colorados. Dependendo do foco da viagem, se são os museus, os parques ou a vida noturna, uma passagem de dois ou três dias (na volta da Serra Gaúcha ou de Buenos Aires) mal dá tempo de fazer a digestão do churrasco. Em tempo: para os gaúchos mais radicais, salada é perda de tempo. A salada só retarda a comida, que é a carne.

Resultados da Pesquisa

A Revista Babel decidiu fazer uma pesquisa entre os estudantes estrangeiros do programa Português para Estrangeiros (PPE) da UFRGS, para ter uma imagem mais clara sobre os motivos que os trouxeram para Porto Alegre. As nacionalidades incluídas são sul-coreana (mais de 50%), chinesa (mais de 30%), seguidas por uma minoria de alemães, colombianos, gregos, mexicanos, peruanos, neozelandeses e ingleses, de uma faixa etária de 19-40 anos. Todos eles estudaram ou trabalharam no seu país de origem antes de vir para Porto Alegre e a maioria já havia ouvido ou/e visitado cidades brasileiras como Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis etc.

 

Para a maioria deles, porém, era a sua primeira vez no Brasil, mas uma parte significante da amostra visitou, durante o período de moradia em Porto Alegre, outros lugares do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Fortaleza, Salvador, Ouro Preto etc.

 

Os motivos principais de sua viagem para Porto Alegre eram sobre trabalho, estudos, turismo, amigos e relacionamentos com pessoas de origem brasileira. A maioria dos candidatos deu como resposta os motivos “Estudos”, “Vida Acadêmica”, “Colaboração entre a Universidade de país de origem e UFRGS (Intercâmbio)” na pergunta “Por que você escolheu vir para Porto Alegre e não outra cidade do Brasil?” uma grande parte dos entrevistados escolheu as opções “Oportunidades de trabalho”, “Vida cultural”. Alguns combinaram essas respostas com o motivo de “Amigos/Família/Relacionamento”.

 

Isso leva à conclusão de que os estrangeiros apreciam principalmente a vida acadêmica de Porto Alegre, com oportunidades de estudos numa das melhores Universidades do Brasil, a UFRGS, que são oferecidos graças aos acordos entre muitos países do exterior e o Brasil. Além disso, não se pode ignorar o fato de que o desenvolvimento da cidade de Porto Alegre durante os últimos anos oferece cada vez mais oportunidades de trabalho na área de vários negócios independentes, e também numa carreira acadêmica.

 

Porto Alegre oferece uma boa qualidade de vida, onde cada um de pode ter planos de estudos, trabalho e lazer para o futuro, mas também para o presente. É uma cidade tranquila, mas também cheia de vida.

 

Para se convencer, basta visitar o Parque da Redenção a cada domingo com um chimarrão e amigos ao lado para aproveitar uma combinação de cores, cheiros e imagens diferentes!

*Estudantes do programa Português para Estrangeiros (PPE) da UFRGS.

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