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Homenagem ao autor

* Por Helena Fang

            Feita em 1959, “Pagador de Promessas” é uma peça teatral representativa do escritor Dias Gomes, que revela a realidade social e faz uma crítica a ela. E a obra já ganhou dezenas de prêmios, por exemplo,Prêmio Nacional de Teatro, Prêmio Melhor Peça Brasileira, entre outros.

            Toda a peça é dividida nos três atos, falando sobre a promessa que Zé do Burro, herói do teatro ia cumprir. Os primeiros dois atos são divididos em dois quadros cada um.  história começa pelo Zé do Burro que é acompanhado pela sua mulher, e que vai da sua terra natal a Salvador para cumprir a promessa feita para salvar o burro doente dele. E o seu trabalho é colocar a cruz na igreja de Santa Bárbara. Entretanto, o padre o impediu, a mulher o traiu e o repórter o utilizou. Tudo isso faz com que o Zé não consiga cumprir a promessa, deixando-a se tornar mais confuso e complicado. Finalmente, Zé do Burro é morto pelo polícia e da sua teimosia em frente da igreja, deixando a sua promessa descumprida.

            A chave de um teatro é conflito. Os conflitos mostrados em “Pagador de Promessas”, tais como a impedimento do padre, a traição da mulher do Zé e a reportagem do repórter, são os elementos mais atraentes na peça. E Zé do Burro, nosso herói simples e puro, está no centro dos conflitos. A esse respeito, a sua morte não só põe o fim à sua vida e à sua promessa, mas também indica o fracasso da classe que ele representa, quando se encara à autoridade.

            A seguir, em vista de toda história, podemos concluir uma palavra para explicar a razão que provoca os conflitos——fosso. O fosso entre religiões diferentes faz com que falte a tolerância , que é o que as religiões divulgam. O fosso entre cidade e zona rural faz com que os cidadãos e os agricultores levem a vida bem diferente. No teatro, quando o repórter pergunta ao Zé do Burro, “Repartir o sítio… diga-me, o senhor é a favor da reforma agrária? Não entendendo, ele pergunta, “Reforma agrária? Que é isso?” As pessoas nas zonas rurais eram brutas e raramente informadas, como se vivessem num mundo isolado, o que era fácil que fosse utilizado e controlado pela autoridade. E o fosso entre o povo e a autoridade faz com que os departamentos da autoridade perca a justiça e a sua responsabilidade pelo seu povo. No teatro, Delegado: “Ele vai contar essas histórias todas mas é na Delegacia. Vamos, acompanhe-me.” Zé: “Acompanhar o senhor .. pra quê?” Delegado: “Mais tarde você verá. Sou delegado deste distrito. Obedeça.”  O abuso do direito trouxe sofrimento e angústia para as pessoas inocentes. E por isso a distância entre a autoridade e o povo está cada vez mais longa.

Por um lado, o teatro apresenta-nos vividamente os personagens tais como o persistente Zé do Burro, o rígido padre e o cruel delegado. E de acordo com a descrição desses personagens, Dia Gomes revela contundentemente vários problemas sociais incluindo conflitos entre religiões, desiquilíbrio entre cidades e zonas rurais, machismo, prostituição e injustiça da autoridade entre outros. Além disso, podemos observar também a vida dura e ignorância do povo que estava em baixo da escala social. Mas por outro lado, a obra envolve muitos temas de realidade social, não destacando algum como principal. Então o teatro perde a ênfase que deveria ser dada a algum aspeto.

Em suma, a tragédia do Zé do Burro não só pertence ao si próprio, mas a todo o povo, e a toda a sociedade. O teatro “Pagador de Promessas” tem alcançado grande sucesso e deixa-nos pensar na sociedade atual e em nós próprios. Como Anoto Resenfeld, autor de estudo das obras de Dias Gomes, disse,” Aberta ao sublime, sensível à grandeza trágica, a obra recorre ao mesmo tempo aos variados enfoques do humor, do sarcasmo e da ironia para lidar com os aspectos frágeis ou menos nobres da espécie humana.”

* Estudante do PPE. Chinesa.

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