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Homenagem ao autor

A Tragédia de um Homem Ingênuo

* Por Camila Zhang

            “O Pagador de Promessas” é um dos teatros mais famosos do Dias Gomes. Ele escreveu esta peça em 1959, contando uma história sobre um homem fiel e simples, Zé –do- burro.

O teatro é constituído por três atos, e os dois primeiros atos são divididos em dois quadros respectivamente. A estrutura da peça é muito simples em geral, seguindo a ordem de motivo, conflito, e desfecho. Além disso, a língua do autor é popular, e fácil para entender.

O primeiro quadro do primeiro ato desenha vividamente uma figura típica de agricultor. Ao mesmo tempo, apresenta o motivo da história—-o herói quer cumprir a promessa que ele fez para Santa Bárbara. As caracteristicas das personagens são mostradas claramente nas falas deles. Zé é um homem fiel e honesto. Ele acentua o compromisso que fez, e respeita a religião. Uma prova disso é o que ele diz à mulher dele quando ela sugere que ponha a cruz à porta da igreja. Ele diz´´Aqui não é a igreja de Santa Bárbara. A igreja é da porta pra dentro.´´ Nesta teimosia e persistência pela promessa está a origem parcial dos conflitos entre Zé-do-burro e o padre, o Monsenhor e o Delegado mais adiante. Por outro lado, as reclamações da Rosa, fazem uma pista da traição dela. Bonitão é a primeira das pessoas que declaram dar uma ajuda ao cumprimento da promessa de Zé. Mas de fato, o motivo dele é só a impulsão sexual.

O segundo quadro é um conflito intenso entre Zé-do-burro e o padre. Também neste quadro, aparece o porquê da sua promessa. É óbvio que é uma tentativa bem sucedida na estrutura, porque deixa os leitores surpreendidos. O trecho revela uma realidade religiosa nessa altura: a convivência de duas religiões é impossivel. Sincretismo tem uma origem na mistura de religiões. Santa Bárbara e Iansan têm a mesma aparência. No conceito dum homem como o herói, elas são iguais. A promessa feita a Iansan com certeza pode ser cumprida a Santa Bárbara. Mas o padre não acredita em sincretismo. Esta diferença é o provocador principal da tragédia de Zé. Mas será que a fidelidade religiosa custa uma vida? Será que um homem fiel como Zé-do-burro não merece a proteção dos santos? Essas são as dúvidas do autor, e devem ser resovidas por toda sociedade.

A personagem mais atraente do segundo ato é o repórter. Assim como a mentira de Bonitão, o motivo do repórter também é feio. Ele é uma personagem representativa entre a multidão. Ele é tão hipócrita, esperto, e egoísta que aproveita um homem inocente como uma arma política. O repórter impõe um sentido político na promessa de Zé-do-burro. Um comportamento religioso é descrito como uma campanha política. Isso é uma enorme crítica à imprensa. Muitas vezes, os repórteres escolhem ser homens descarados por contar uma história falsa ao povo ignorando a angústia das vítimas.

A descrição da indiferença das pessoas é fabulosa. Perante a desgraça de Zé, os homens no bar não sentem nada. Eles até apostam na situação difícil do homem coitado. Pensando nisso, a tragédia de Zé-do-burro não é um fim inesperado. Este final é uma ironia da polícia. A polícia pode prender qualquer pessoa que quiser. Não precisa de investigação, nem testemunho. As autoridades acreditam nas coisas em que querem acreditar e deixam pessoas inocentes na prisão sem porquê. A tragédia de Zé não é só a consequência do conflito de duas religiões, mas também é um sacrifício de uma sociedade sem ordem e justiça.

A descrição de egoísmo e indiferença das pessoas é a parte mais vívida do teatro. O autor apresenta o lado escuro, feio, frio do mundo, despertando a simpatia, honestidade e amor do nosso coração.

 

* Estudante do PPE. Chinesa.

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