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Homenagem ao autor

Imagem atemporal de uma sociedade sem solidariedade

Por Thomas Reich*

A peça “O pagador de promessas”, escrita pelo autor brasileiro Dias Gomes e publicada em 1960 conta a história de Zé-do-Burro, que prometeu carregar uma cruz de madeira por sete léguas de pé e tem que enfrentar vários problemas completando esta promessa. Com essa história, o autor mostra defeitos diferentes dentro da sociedade brasileira.

Zé-do-Burro, sertanejo do Nordeste, chega à igreja da Santa Bárbara junto com a sua esposa, Rosa, para colocar a cruz dentro da igreja. Essa é a promessa que ele fez para salvar seu burro machucado, Nicolau, mas porque ele fez a promessa para Iansan, uma orixá, o padre da igreja não o deixa entrar. Esperando na praça em frente da igreja para entrar Zé-do-Burro e Rosa se tornam objetos dos interesses e desejos egoístas de vários lados, como da imprensa ou da polícia. No último dos três atos, estes interesses culminam numa luta grande, no qual Zé-do-Burro morre.

O autor consegue escrever uma peça, onde desperta emoções divergentes ao mesmo tempo. O formato que “O pagador de promessas” se orienta segue bem as três unidades de Aristóteles, ou seja, as unidades do tempo, do lugar e do enredo, porque tudo acontece num único lugar só e num pequeno espaço de tempo. Por isso, a obra é de uma coerência impressionante. O problema de Gomes é, que ele não consegue criar personagens com profundidade de caráter: nós somente sabemos pouco sobre Zé-do-Burro e quase nada sobre as outras personagens. Além disso, os lados são claros do próprio início: Zé-do-Burro é só bom e quase o resto inteiro é só contra ele. Somente a figura de Rosa trazm bocado de bipolaridade, porque dentro dela lutam seus desejos sexuais com sua lealdade ao marido dela.

Em relação ao conteúdo de “O pagador de promessas”, Dias Gomes não só desenha uma imagem interessante da sociedade bahia e brasileira com seus vários grupos diferentes, mas também critica a falta de solidariedade e respeito entre estes grupos: a falta dogmática de misericórdia na igreja católica, o sensacionalismo da imprensa, a falta de observação dos leis na polícia. Se pode entender a luta final como uma metáfora, que o autor está da opinião, que essa falta de solidariedade vai provocar uma catástrofe.

Resumindo tudo isso, pode-se dizer que “O pagador de promessas” é uma peça bem composta, que, embora tenha algumas deficiências na construção das suas figuras, enfatiza pontos de crítica bem importantes da sociedade brasileira antes de 50 anos bem como da sociedade contemporânea: a corrupção da polícia, o egoísmo em várias classes sociais ou a falta de escrúpulos de enganar outras pessoas para alcançar os próprios alvos.

* Estudante do PPE. Alemão.

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