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Homenagem ao autor

O pagador de promessas

Por Tianying Dai (Eva)*

Quando perguntado sobre o que seria a obra teatral O pagador de promessas, Dias Gomes respondeu que “O homem, no sistema capitalista, é um ser que luta contra uma engrenagem social que promove a sua desintegração, ao mesmo tempo que aparenta e declara agir em defesa de sua liberdade individual.”

De qualquer modo, na peça, o Zé-do-burro, personagem principal, acaba por pagar pela sua desintegração enquanto outros declaram-se como um cidadão da sociedade mas pensam somente em si mesmo.

Escrito em 1959 pelo dramaturgo brasileiro Dias Gomes, o Pagador de Promessas, foi encenada pela primeira vez em São Paulo pelo Teatro Brasileiro de Comédia, no ano de 1960. Mas o sucesso desta obra não parou. Dois anos depois, a peça foi adaptada para um filme homônimo que venceu o prêmio Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Dividida em três atos, a obra concentra-se no pagador, Zé-do-burro, que promete levar uma cruz de sua terra até uma igreja de Santa Bárbara de forma a cumprir uma promessa feita para salvar a vida do seu melhor amigo, o burro. Segundo a “estrutura básica” dos heróis trágicos, a personagem principal, como das outras peças literárias, é simpática, devota e ingênua e tem que enfrentar obstáculos colocados por inimigos de vez em quando. Uma vez que teatro é um microscópio da vida real, ele não poupa nenhum esforço para mostrar o exagero e a ampliação das personalidades através de conflitos entre personagens, por exemplo, insistência do nosso herói em entrar na Igreja e impedimento dos chamados padres.

A peça apresenta-se como uma obra cheia de ironias através de comportamentos das personagens secundárias.  O entusiasmo e a preocupação da mídia não passam de uma ganância por querer lucrar com tiragem do jornal; a vaidade da guarda não se importa em sacrificar outros para atingir objeto pessoal; a hipocresia dos padres sob o nome do Deus ignora um devoto verdadeiro; a polícia prende pessoas irracionalmente, sem investigar.

No que tange a estrutura narrativa, quero dizer que, a história apresenta-se de forma impressionante. Dias Gomes não é um escritor que conta apenas os fatos que acontecem. Em vez de começar no início da história, estreia com uma cena em que o Zé e a Rosa chegam a igreja, deixando espectadores adivinhar: porque eles aparecem em uma madrugada? porque o homem carrega uma cruz tão pesada? o que vai acontecer com eles?

O pagador de promessas, que sacrifica tudo para cumprir sua promessa, ingênuo e sincero, perde; os padres, que assumem o papel de cultivar a alma dos clientes, falsos, vence. Será que isso não é uma grande ironia à humanidade? Portanto, uma verdade que esta peça nos ensina é que nem sempre os bons conseguem derrotar os maus, ou seja, não existe vitória absoluta.

* Estudante do PPE.Chinesa

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